Desumano: sem água, sem poço e à mercê do motorista, moradores de Santa Rita do Moisés denunciam abandono
“Papai, eu quero água.” O pedido de uma criança resume o drama vivido por famílias do povoado Santa Rita do Moisés, na zona rural de Codó. Sem poço artesiano e dependendo do abastecimento por carro-pipa, moradores relatam que chegam a passar mais de 15 dias sem receber água.
A situação teria se agravado pela forma como o abastecimento vem sendo realizado. O motorista identificado pelos moradores como Edinaldo Gomes, conhecido pelo apelido de “Cabeça de Muela”, aparece em vídeo afirmando que a água seria destinada a determinadas casas e que outras não receberiam o abastecimento.
Em outro momento, segundo os moradores, o motorista teria dito que chegou ao povoado por volta das 22h para entregar água e que, se a pessoa não acordou para receber, “o problema é dela”.
Os moradores também registraram imagens nas quais afirmam que o motorista estaria em um bar da região, durante a noite, com o carro-pipa estacionado, enquanto famílias continuavam aguardando água. Eles questionam por que o veículo estaria parado no local enquanto pessoas da comunidade permaneciam sem abastecimento.
Ainda conforme os relatos, na semana passada algumas famílias teriam ficado mais de 16 dias sem receber água. Os moradores afirmam que o carro-pipa esteve no povoado em vários desses dias, mas que determinadas casas teriam sido deixadas de fora após reclamações feitas contra o próprio motorista.
A denúncia levanta uma questão grave: quem está definindo quais famílias recebem água e quais ficam sem abastecimento?
Para os moradores, não se trata apenas de uma discussão sobre distribuição de água, mas de uma situação que atinge diretamente a dignidade das famílias. Crianças, idosos e trabalhadores dependem desse abastecimento para sobreviver.





