Domingo, 12 de julho de 2026
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DATA PARA MORRER – Reunião nesta segunda-feira tentará salvar da morte 18 pacientes da NEFROCLÍNICA EM CODÓ

A clínica de hemodiálise de Codó foi inaugurada dia 14 de fevereiro do ano passado, atende hoje 76 pacientes renais crônicos, mas resolveu agora dispensar 18 deles alegando, no comunicado entregue à cada um,  falta de recursos para cobrir as 3 sessões semanais .

DATA PARA MORRER – Reunião nesta segunda-feira tentará salvar da morte 18 pacientes da NEFROCLÍNICA EM CODÓ

A clínica de hemodiálise de Codó foi inaugurada dia 14 de fevereiro do ano passado, atende hoje 76 pacientes renais crônicos, mas resolveu agora dispensar 18 deles alegando, no comunicado entregue à cada um,  falta de recursos para cobrir as 3 sessões semanais .

William Soares Santos, paciente já com documento de exclusão, explicou-nos que a carta de ‘descontinuidade’ do tratamento é endereçada à Secretaria Municipal de Saúde, o que seria, na opinião dos dispensados,  uma forma da clínica  eximir-se da   responsabilidade de arranjar  um novo local.

“Pra o secretário de saúde procurar vaga, é uma coisa assim que é estritamente responsabilidade da clínica, independente da gente saísse ou não quem tinha que fazer isso era a clínica e não o secretário de saúde do município, nem prefeitura, nem nada…DAÍ A NECESSIDADE DE INTERVENÇÃO DO MUNICÍPIO? Sim, quem nos assiste é ele, então procuramos nossos direitos aqui”, respondeu

NO MINISTÉRIO PÚBLICO

Sem qualquer garantia de que terão atendimento numa outra clínica, como a de Caxias, por exemplo, de onde já veio grande parte dos que não terão mais atendimento em Codó, os pacientes resolveram procurar o Ministério Público Estadual e fizeram isso na última sexta-feira, pela manhã, dia 9 de março.

Há uma urgência porque o comunicado diz que eles só serão atendidos em Codó até o dia 2 de abril.

SE PREPARANDO PARA MORRER

Sem o tratamento seu José  Ribamar de Sousa disse que já se prepara para a morte.

“Você tem que saber que vai a morrer logo, não escapa, quando eu faço, porque é um dia outro não, quando é domingo, que eu faço sexta que é pra fazer segunda eu já passo mal…ISSO COM A CERTEZA DE QUE VAI FAZER? Imagine sem fazer, já passo a noite sentado na rede, da cama pra rede aquela  agonia, faltando fôlego”, lamentou dentro do prédio do MP enquanto aguardava para assinar uma ficha de sua denúncia.

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Maria Coqueiro de Sousa foi ao Ministério Público porque a mãe dela, uma idosa, não resistirá à uma viagem para outro município se a decisão for mantida e ela explicou o motivo.

 “Se sair daqui pra outro lugar mais longe, com certeza ela não vai aguentar ela vai acabar morrendo (…) então não tem como ela sair daqui e ir pra Caxias SENDO QUE TEM Uma clínica em Codó ….QUAL É O ULTIMATO? Até o dia 2 de abril…E DEPOIS? Aí ela vai acabar morrendo porque não tem lugar pra ir, e de  ter lugar tem mas a gente tem que fazer aqui, ela fazer aqui em Codó”, frisou

REUNIÃO NESTA SEGUNDA-FEIRA

No Ministério Público oficializaram a denúncia e a imprensa foi informada de  que nesta segunda-feira, 12, à tarde a promotora vai se reunir com o secretário municipal de saúde, Suelson Sales,  para tentar uma solução administrativa para o problema que também envolve o governo do Estado que teria prometido repassar à clínica a verba correspondente ao aumento do número de pacientes – exatamente os 18 que agora estão temendo a morte.

“Morte, porque se a gente passa 3 dias sem diálise, eu, praticamente, ganho quantia de preço, vomitando, passando mal, pressão sobe, fico tonto, minha visão embaça, é o fim, sem a máquina é o fim, aquilo é como se fosse o rim , sem aquilo ali a pessoa não vive”, afirmou Willian Soares Santos

OUVINDO OS ENVOLVIDOS

A assistente administrativo da NEFROCLÍNICA, Diana de Sousa, informou que  desde outubro do ano passado os proprietários da clínica, que é particular, estão bancando, do próprio bolso, o atendimento de 18 pacientes, o que torna a continuidade da prestação do serviço inviável.

O custo dos atuais 76 pacientes hoje está em torno de R$ 203.000,00, enquanto a clínica só vem recebendo algo em torno de R$ 167.000,00 (valor do último repasse do Governo Federal). A decisão da direção de diminuir o número de pacientes está mantida por conta disso.

A secretaria de Saúde de Codó, informou que o município apenas recebe a verba, que é federal, e repassa à clínica mediante comprovação de prestação do serviço de hemodiálise. O último pagamento foi de R$ 167.000,00.

O secretário Suelson Sales disse que a clínica, mesmo na situação que alega, não poderá deixar os pacientes sem hemodiálise. Informou ainda  que pediu uma reunião com a promotora da Saúde, Linda Luz Matos Carvalho, nesta segunda-feira, 12, para ver se encontra uma solução urgente para o caso.

A Secretaria de Estado da Saúde também deverá ser provocada pelo Ministério Público porque há a informação, confirmada pela secretaria municipal e pela clínica à nossa reportagem, de que Carlos Lula teria autorizado o aumento da demanda. Há um termo de compromisso assinado sobre isso.

Comprou-se mais equipamentos, passou-se a aceitar mais pacientes, além dos 58 iniciais,  e depois disso a secretaria estadual não cumpriu com a promessa de cobrir o custo excedente.

3 PODEM RESOLVER

Há três soluções urgentes possíveis para o impasse – o município de Codó cobre com verba própria o excedente, o governo de Flávio Dino cumpre o que prometeu à direção da clínica ou, este mais complexo, o Ministério da Saúde libera de vez o aporte financeiro para mais 21 pacientes, pedido que já foi feito há muito tempo ao Governo Federal, documentalmente comprovado,  e nunca foi concedido.

Se nenhuma solução aparecer – estes três entes federativos, por meio de seus representantes, matarão 18 codoenses no mês de abril, debaixo das barbas do Ministério Público.

Fonte: Acelio trindade.

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